7 de fevereiro de 2006

E quê? Ah!

Foi há menos de duas semanas que o nosso governo nos brindou com a notícia de importantes investimentos captados para o nosso país.
À primeira vista, assumo que fiquei tentado a acreditar que de uma vez por todas o país poderia estar a encarrilar e que os nossos governantes se tinham finalmente dedicado à tarefa para a qual, supostamente, foram eleitos: - governar. Mas, como diz o povo, foi “solo pouco duro”. Rapidamente descobri que uma vez mais estavam a varrer para baixo do tapete…
Pois, senão atentem na notícia transmitida pelo governo: A IKEA, prestigiada multinacional Sueca, vai montar uma fábrica de mobiliário em Ponte de Lima que vai criar mais de 200 postos de trabalho.
À primeira vista estariam pois de parabéns os nossos amigos governantes, merecendo até um jantar de homenagem no sulista e elitista PAB!!!

Ora…olhemos para trás para proteger o flanco e dobrando as costinhas, vamos lá levantar o tapete…
E o que é que vemos lá escondido?
Pelo menos, muito provavelmente, a oferta dos terrenos e talvez excepcionais condições fiscais.
O que ao certo está lá metido: a concessão de uma licença à IKEA para abrir 5 mega-stores de comercio de mobiliário em Portugal.

Está bom de ver…Com a justificação da criação de 200 postos de trabalho, vão certamente ser sacrificados mais de 2000. Refiro-me ás centenas de PME, fabricas de mobiliário da nossa capital do móvel e arredores de estrutura já precária, que viviam sobretudo do mercado nacional e que com a abertura de 5 mega-lojas vão com certeza ser asfixiadas e num ápice desaparecerão, levando com elas não 200, mas por certo milhares de pessoas para o desemprego. Isto para não falar dos comerciantes de mobiliário, que entretanto também serão obrigados a fechar as portas. Como é que alguém no seu perfeito juízo, dá carta branca a um peso pesado como a IKEA para num país minúsculo montar 5 grandes lojas?
E como se não bastasse, concede-lhe extraordinárias e desmedidas benesses que, por si, farão calar qualquer incauto que por ventura se atreva a dizer que o governo deve deixar o capital e a economia de mercado funcionar livremente.

Para que é que existe um governo senão para zelar pelo bom funcionamento da economia de mercado, defendendo na medida do possível e aceitável os interesses nacionais?
É tão fácil… Se não sabem, basta botar os olhinhos no que fazem os nossos vizinhos.

A esta hora está o Sr. Kamprad, (fundador da IKEA e 6ª maior fortuna do mundo) a comentar para um dos seus acessores: - Dear Svenska Volvo: a penetração neste mercado foi mais fácil que no Burkina Faso. Cá pra mim tinha um hímen postiço!!!


Tylben

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