17 de março de 2010

Casamento Gay



Longe de mim pensar que um e-mail que me chegou à caixa de correio (após pesquisa descobri ter sido escrito por “João Pereira Coutinho no expresso on-line) e que remeti a alguns amigos seria motivo de tão calorosa discussão. É bom sinal e a prova de que o mito de que a cerveja é prejudicial à saúde não tem fundamento!
Não me quero alargar sobre o tema, mas apenas deixar umas breves notas.
Ao tentar entrar em considerações sobre a noção do “edifício” que é o casamento, surgem-me dúvidas sobre a razão de ser deste contrato para pessoas do mesmo sexo, pois como referia um dos meus amigos que reagiu veementemente ao e-mail - “o dicionário da Porto Editora define o casamento como contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir família em conjunto" – pois aqui reside a grande questão: até ao momento, que eu saiba um casal de Gays não pode constituir família no sentido lato do conceito, ou seja, envolvendo descendência / procriação. Trata-se assim de uma noção de família algo diferente do que creio está convencionado para o casamento, ainda que civil, pelo que me leva a perguntar: se assim é, porque não ter para este caso “diferente” também um casamento diferente?
Poder-se-á rebater, referindo que há muitos casais hetero que casam e assumem não querer ter filhos, mas o argumento não colhe, porque no caso dos gays mesmo que queriam não podem, ou seja, falta no mínimo um requisito a meu ver importante para que possa ser considerado um casamento no sentido normalmente estipulado para o acto.
Tratando-se a meu ver de um argumento válido, não me impede no entanto de aceitar que seja promulgado o casamento entre pessoas do mesmo sexo e por um simples motivo: que direito tenho eu de estar contra ou ainda mais tentar impedir algo que segundo os seus destinatários, irá contribuir para a sua felicidade e que não tem implicações negativas para terceiros?

Tendo sérias dúvidas de que este seja o tema que mais preocupa a comunidade Gay, não me oponho a que seja feita a sua vontade, ou a vontade dos que assim entenderem celebrar o seu amor, amizade, combinação de interesses ou seja lá o que for por esta via.

Não aceito também é que quem está contra seja desde logo apelidado de retrógrado, homofóbico e outras coisas que tal.
Como e que ficamos: de um lado estão os virtuosos, progressistas e de mente aberta e iluminada e do outro estão os retrógrados, antiquados…?

Não iria nunca para a rua fazer manifestações a favor do Casamento Gay, nem sequer acho que é tema que mereça ser referendado, pois creio que basta o parlamento, nossos legítimos representantes, decidir e está decidido.

No entanto, como não sou político nem me considero hipócrita - peço perdão pelo pleonasmo - tudo o que referi não me impede de assumir que tenho preconceitos.
Vocês, modernos não tem?
Vamos fazer um exercício meramente imaginário:
Imagino-me com um filho adolescente; eu chegar a casa e encontrá-lo no sofá com uma miúda boa em grande reboliço. Para além dos deveres paternais que temos que assumir nestas alturas creio que lá no fundo dois sentimentos me passariam pela alma: Inveja e orgulho!
Agora noutro cenário, imagino-me chegar a casa e encontrar o meu filho com um rapazinho nos mesmos preparos que no caso anterior. Não sei o que me passaria pela cabeça, mas de uma coisa tenho a certeza: não seria nem orgulho nem tão pouco inveja.
Aceitaria? Estou convicto que sim.
De ânimo leve? Tenho a certeza que não.

Não sou moderno…
Que é que se há-de fazer!

1 comentário:

Ricardo disse...

Escreve-se demais acerca disto.
Claro que um casal hetero não gostava de ter um filho gay, da mesma maneira que um gay não gostava de ter um hetero.. mas do mesmo modo que um individuo opta por ser gay, tambem pode optar por ser hetero.
Se se querem casar que casem, mas o prvavel é divorciarem-se mais tarde..